Resenha: Ruby Marinho, Monstro adolescente

Dirigido por Kirk De Micco (que dirigiu "Os Croods" em 2013 e "A Espada Mágica: A Lenda de Lancelot", em 1998) e Faryn Pearl, "Ruby Marinho, Monstro Adolescente" apresenta uma kraken adolescente chamada Ruby que mora com a família numa cidade costeira chamada Cabo Fresco, se passando por humanos.

Foto: Reprodução

Os Gillman, formados pela mãe Agatha (voz da Toni Collette), o pai Arthur (voz de Colman Domingo) e o irmão Sam (voz de Blue Chapman) e a filha Ruby (voz de Lana Condor), escondem de toda a população que são criaturas marinhas. Vivem perto do mar por precisarem da umidade, mas o contato com o mar é terminantemente proibido. Por essa razão, Ruby quase sempre perde os eventos com os amigos.
Após salvar o seu interesse amoroso de um afogamento, Ruby descobre ser uma Kraken gigante e neta de uma Kraken Rainha (voz da Jane Fonda). E esse encontro entre vó e neta, além de provocar mais atritos entre Ruby com a mãe, é revelado à Ruby que os Krakens são os protetores dos oceanos e que os monstros, na verdade, são as sereias. O que nenhuma delas sabe é que a sereia do mal está mais próxima do que elas imaginam.

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A DreamWorks subverte a animação de "A Pequena Sereia" lançada pela Disney em 1989 e essa decisão "criativa" nadou contra corrente mas afundou da forma mais genérica possível.
Em Ruby, existem referências ao Rei Tritão, Sebastião, Ariel e a própria Úrsula.

Apesar dessa estratégia mercadológica, o filme tem pontos positivos, e que, com muita boa vontade, podem fazer dele um bom entretenimento. Existe, por exemplo, uma visão matriarcal da mitologia em torno dos Krakens que se torna um diferencial à narrativa do conflito familiar.
Em quase todas as animações, essa dinâmica acontece entre os filhos ou as filhas com o pai. A mãe quase sempre é deixada de lado, seja pela morte ou por irrelevância na história. Não é o caso desse filme. O centro do enredo está justamente ancorado na relação entre Avó, Mãe e Filha.

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Outros pontos que valem a pena destacar é a representatividade queer e racial. Uma das melhores amigas de Ruby, chamada Margot (voz de Liza Koshy) é lésbica, com direito a uma gravatinha borboleta de arco-íris, e o "príncipe" dessa história chamado Connor (voz de Jaboukie Young-White) é um rapaz afrodescendente.
Há uma sequência rápida mas muito interessante em que Agatha consegue acolher Ruby durante uma crise de ansiedade da filha, e, por fim, o design e a paisagem da cidade de Cabo Fresco que é repleta de detalhes e com cores e formas muito caprichadas.
Infelizmente, as expectativas foram por água abaixo com uma baixíssima bilheteria e críticas negativas. Pode ser que, bem futuramente, o filme alcance um novo público que o aprecie. Apesar disso, pra quem gosta de fundo do mar, monstros marinhos e sereias, com certeza terá motivos de sobra pra assistir.

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